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Qual o melhor instrumento musical para iniciantes?

Todo mundo, em algum momento, quis tocar algum instrumento. Em alguma ocasião você puxou a barra da saia da sua mãe e falou “mamãe, me dá um violão”, ou “mamãe, me dá um piano”, “mamãe me dá um cavaquinho“, ou “mamãe, quero tocar flauta”. E é normal que a sua mãe compre um instrumento mais meia boca pra você, já que você está começando.

O problema é que você pode se tornar um músico e ficar com esse instrumento quebra-galho por muito tempo. Ah. Antes que eu me esqueça: já deixa o seu joinha pro lordão! Bem. Na minha opinião, um instrumento barato só serve pra testar se você realmente quer estudar ele.

Instrumento bom ajuda no aprendizado?

A partir do momento que você tem alguma expectativa de se tornar um músico profissional, ou simplesmente quer estudar o instrumento pra tocar bem, é sua obrigação comprar um instrumento que preste. E eu só me dei conta do quão importante é ter um bom instrumento muitos anos depois de ter começado a estudar cavaquinho. Sim, eu fui prejudicado por um instrumento barato. Não comprei um cavaquinho para iniciantes.

Se eu tivesse tido um instrumento bom como este que tenho hoje na época que comecei, tenho certeza que estaria tocando ainda melhor. O erro é achar que o iniciante, por não ter técnica suficiente, não notará a diferença entre um instrumento bom e um ruim, mas isso é mentira.

Um bom instrumento não tem problemas mecânicos que podem vir a criar vícios quase que irremediáveis no futuro. Utilizando o cavaquinho como exemplo, se você comprar um cavaquinho de algumas marcas nacionais ou internacionais que não prestam muito, você vai adquirir um instrumento meio duro, difícil de sair som. Logo, pra se ouvir bem, você vai sentar a mão no cavaquinho, tocar forte, e isso prejudica a sua noção de dinâmica.

Também são instrumentos não muito sensíveis ao toque, que quando apertados com pouca força, falham e não emitem som algum, o que te limita ainda mais na questão dinâmica. Aí, quando você passar pra um cavaquinho de boa qualidade, tudo vai soar muito forte, vai cansar o ouvido.

Lógico que com um instrumento com uma mecânica complexa como o cavaquinho, por exemplo, isso fica mais evidente, mas e em instrumentos que não tem quase que mecânica alguma, como o violão? Além de questões de segurar afinação, um violão com uma acústica ruim também limita a questão dinâmica, comprometendo a sua execução.

E isso, por mais técnico que possa soar pra você, é um problema bastante elementar, que cria vícios desde cedo. Além do fato de um instrumento com som feio é um instrumento desagradável pra se ouvir o tempo todo; então um instrumento mequetrefe pode também desanimá-lo na rotina dos estudos.

Agora. Cuidado para não exagerar. Chegando em determinado nível de qualidade, os instrumentos vão ficando muito parecidos. A diferença entre um Stradivarius e um bom violino de Luthier, veja aqui, de mais de 3 mil reais é mais sutil do que você pode imaginar, e só vai fazer sentido se você toca numa grande orquestra ou é um solista profissional.

Aí sim você pode deixar pra comprar o instrumento top de linha mais pra frente, quando for um mestre no assunto. Dia desses eu ouvi a diferença entre uma flauta de 300 dólares e uma de 20 mil, e me surpreendi com o quão sutil a diferença sonora é. Eu não sou um grande conhecedor de flautas, mas acredito que uma flauta de 300 dólares tenha uma mecânica bem razoável, que pode ser mais que o suficiente para um iniciante.

O problema seria você comprar uma flauta de 100 dólares, por exemplo. Mesmo que a diferença sonora ainda seja sutil, a questão mecânica do instrumento faz toda a diferença. Você pode não ouvir a diferença numa comparação rápida, mas no dia-a-dia você vai ver que há uma grande diferença SIM.

Pra você que tá começando agora no cavaquinho: eu sei que cavaquinho é um instrumento mais barato (comparado a um piano, por exemplo), mas se você planeja ser um bom pianista, invista em um piano bom, de uma marca com renome no mercado. Se quiser tocar cavaquinho, pesquise por um instrumento bom, com um valor que caiba no seu bolso.

Mas é claro que não adianta muito ter um ótimo instrumento mas não ter um bom professor, e é por isso que eu te convido a conhecer uma boa escola de música. Nela você encontrará aula de cavaquinho, piano, teoria, percepção, e se você for mais moderninho encontrará até cursos de produção de música eletrônica.

Existem cursos que são bem objetivos e te garantem o direito de tirar todas as dúvidas que tiver diretamente com o professor, por tempo indeterminado. Vale a pena pesquisar!

Técnicas para solos de cavaquinho

Aula de cavaquinho

Se a gente pensar aqui em alguns gêneros musicais, o Brasil tem uma riqueza fenomenal em termos de gêneros musicais, e o cavaquinho funciona bem em muitos desses gêneros, mas a gente vai abordar alguns aqui, que eu estou considerando mais importante a gente fazer nesse momento.

Por exemplo, se você vai tocar um maxixe, você pensa naquele ritmo do maxixe que tem um bumbo fazendo “tum-dum-dum, tum-dum-dum, tum-dum-dum”.

Tem uma caixa fazendo “taca-tica-tunca, tacuntaca-tica-tunca tacuntaca-tica-tunca, tacuntaca”.

Tem, digamos, um triangulo fazendo um tiquindingue, tiquindingue, tiquindingue, tiquindingue.

Esses três, se a gente tiver na cabeça essas três células rítmicas, a gente pode pensar numa levada de maxixe fazendo uma sequência em Dó maior, e sempre mudando um pouco de posição.

E tem muitas variações que a gente pode fazer dentro desse ritmo.

Eu vou começar de novo fazendo esse maxixe e mostrar algumas variações pra vocês.

Uma sequência em outro tom, vou fazer uma sequência aqui, em Lá maior, pensando em uma levada de choro.

Vocês puderam observar uma levada mais delicada, enquanto no maxixe a gente fez uma coisa muito incisiva com o movimento da palheta, quando a gente vai tocar um choro, agente pode pensar nos acordes mais arpejados um pouco, né?

Claro que existem vários tipos de choro também, mas se a gente pensar um choro do Jacó  Bandolim, “Doce de Coco”…

Teve um músico, um cavaquinista, baiano, que morou aqui no Rio de Janeiro durante muito tempo, Carlinhos do Cavaco, que ele inventou um jeito de tocar cavaquinho que virou uma referência também, ele usava o cavaquinho com uma afinação diferente.

Então para tocar o samba, fazia uma palhetada mais incisiva e fazia umas variações rítmicas sensacionais.

Tem muitas gravações que a gente pode ver da Clara Nunes, do Roberto Ribeiro onde ele usa isso.

Percussão e cavaquinho

Essas levadas se relacionam muito com a percussão, quando a gente está tocando em determinado ritmo.

Então, é importante para você que está experimentando tocar o cavaquinho, prestar atenção no que a percussão está fazendo e procurar se relacionar com a percussão, imitando ou fazendo alguma coisa que complemente aquela levada ali, mas eu acho até importante, no primeiro momento você tentar imitar o que está acontecendo ali.

Se você pensar em um tamborim tocando, vai assim que vai funcionar perfeitamente fazendo exatamente a mesma célula rítmica que o tamborim está fazendo.

Daqui a pouco eu vou falar de alguns macetes de encadeamentos de acordes, e dentro desses encadeamentos, a gente fazer mais algumas variações de levadas aqui.

Se a gente pensar, por exemplo, em um baião, em um samba-canção, em uma polca. Existem um universo imenso de variações que a gente pode fazer em cima desses ritmos básicos.

Observar músicos tocando cavaquinho

Eu aconselho você, que está interessado mesmo em se dedicar mais ao cavaquinho, ou até por curiosidade se você não conhece ainda, gravações onde o Canhoto do Cavaquinho, toque Regional do Canhoto, gravações do Jacó do Bandolim, onde você vai observar o Jonas tocando, é uma verdadeira aula de cavaquinho.

Gravações da Clara Nunes, do Roberto Ribeiro ou de diversos outros sambistas onde aparece o Carlinhos do Cavaco tocando.

São algumas referências que eu tô dando assim, que vocês podem procurar facilmente isso e ouvir com atenção e procurar imitar aquilo que eles estão fazendo ali.

É tudo dentro disso que estou mostrando para vocês, só que é acontecendo já na música, entendeu?

Então está tocando junto com outros instrumentos, você pode observar a forma como eles estão se relacionando com os outros instrumentos, no acompanhamento das músicas.

O momento em que ele vai dar uma palhetada para tirar um pouco mais de som, fazer um piano em seguida, tocar baixinho, esse tipo de detalhes de interpretação que vocês podem pescar nessas gravações, como uma complementação desse trabalho que a gente está fazendo aqui.

Macetes de encadeamento no cavaquinho

Aula de cavaquinho

Bom, alguns macetes de encadeamento, dentro daquela ideia que a gente deve aproximar os acordes, se você fizer o Sol maior, o Si bemol diminuto, o Lá menor, o Ré com o Ré com sétima e o Sol.

Si com sétima, Mi menor, Lá com sétima, Ré com sétima e Sol maior, novamente.

Então, se a gente pensar, por exemplo, em uma sequência de Fá maior.

Vou dar um outro exemplo aqui, se você fizer esse acorde aqui, que seria uma Fá com sexta:

Dó, Fá, Ré, Lá.

As notas são essas desse acorde: Dó, Fá, Ré, Lá, é um Fá com sexta.

Se você for fazer um Ré com sétima, basta você chegar o dedo indicador uma casa pra frente.

Se você for fazer um Sol com sétima em seguida, basta você descer o indicador e o segundo dedo meio tom, aí você vai fazer o quinto grau, o Dó com sétima, para voltar para o Fá. O Fá com a nona adicionada no dedinho.

Agora você está aqui em Sol menor, vai fazer uma sequência em Sol menor…

Dó menor com sexta e Fá com sétima, Si bemol com sexta.

E depois voltando para o tom.

Vocês podem observar que, como facilita o encadeamento, você tem que movimentar pouco a mão para conseguir o efeito do acorde, por outro lado, mesmo você movimentando pouco você está dando a cara da harmonia.

Se você só escutar, você percebe o caminho que essa harmonia está fazendo.

Aí você pode pensar em fazer aqui subindo Sol, Mi sete, Lá menor, Ré sete, Sol, diminuto, Lá menor, Ré sete e Sol.

A gente foi em um sentido e voltou depois, entendeu?

Esses encadeamentos a gente pode usar em qualquer tom.

Em qualquer lugar que você estiver no braço do cavaquinho você pode usar, e é sempre muito mais prático quando a gente anda com os acordes próximos uns dos outros.